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Rubya Bittencourt - Bauru/SP

Portal G: Quem é Rubya Bittencourt?
Rubya: Rubya é um personagem que criei em 1996, apenas para participar de um concurso em Bauru. Com o passar do tempo, o personagem foi ganhando vida e caracteristicas. Hoje, ela é mau-humorada, sarcástica, acha que é milionária e detesta quem tem conta poupança no Bradesco.

Portal G: Porque a escolha do nome? Tem algum significado? Como tudo começou?
Rubya. Até 1998 eu usava um outro nome, que vinha do meu nome de homem. A pronúncia do primeiro nome é muito parecida com Régis e na época eu estava em turnê com um espetáculo infantil, quando passamos pela Régis Bittencourt. No ato, um outro ator fez a junção dos nomes e trabalhei por um bom tempo usando... Paulo Bittencourt. Em 1998, eu e um amigo inauguramos a primeira boate GLS de Bauru, a Fake Club. Como a cidade não tinha apresentadora para os shows contratados, meu sócio praticamente me obrigou a subir no palco e me fez apresentar o show. Então, eu comecei por falta de opção mesmo!

Portal G: Qual foi a maior dificuldade? Ser drag ou gay? Sofreu ou sofre preconceito?
Rubya. Não tive dificuldade nenhuma em começar a apresentar shows, porque já fazia teatro há uns 10 anos. O improviso em cena era hábito comum. Era só mudar as piadas e estar preparada para que uma resposta saísse na hora certa. Quando comecei a fazer show, era o início do "boom" drag no Brasil, então, eu comecei como transformista caricata e o pessoal da boate via aquilo como mais um trabalho artístico. Nunca sofri preconceito por ser gay e consecultivamente não sofri por ser drag. Sempre encarei como um personagem que está em cartaz até hoje. Uma coisa "Mistério de Irma Vap"!

Portal G: O que é ser drag? Que dica deixaria pra quem está começando?
Rubya. Ser drag é antes de tudo, ser ator. Interpretar um personagem e fazer com que as pessoas acreditem nele, pra quando você tirar tudo, voltar a ser o Paulo Balderramas. Esse é o problema de quem está começando. Usam o status de drag queen, como escada pra virar travesti posteriormente, como doses homeopáticas para um futuro peito, cabelo natural e prostituição na Europa.

Portal G: Como você vê a discriminação hoje em dia?

Rubya. Está menos problemática. Hoje podemos sair de casa montadas e pegar um táxi, que as pessoas olham no semáforo e acenam. Temos a Parada Gay de São Paulo que virou um carnaval fora de época, às custas de todos os anos que sofremos discriminação na rua, só pelo fato de sermos gays. Imagine ser drag? A mídia ajudou e tem ajudado muito a nossa causa. Gays politizados compraram nossa briga, estabelecimentos comercias se intitularam "friendly", fizemos televisão com debates sérios sobre homofobia... Mas temos um longo caminho pra trilhar ainda!

Portal G: Se inspira ou se inspirou em quem para montar sua personagem?
Rubya. Quando conheci a Divina Nubia, que na época era Nubia Nazarine, me apaixonei logo de cara. Foi amor à primeira vista. Até que em 1998, resolvi levar mais a sério o lance de fazer show e fiz um material publicitário para enviar para agências e boates. Como o primeiro nome que usava não me agradava, em homenagem a Nubia Nazarine, coloquei Rubya Bittencourt. Na época deu o maior bafafá. As revistas trocacam os sobrenomes... publicavam uma foto dela, com a legenda: "Nubia Bittencourt", outras vezes, uma foto minha com a legenda: "Rubya Nazarine". Nós duas brigamos por isso e ficamos três anos sem nos falar. Com o passar do tempo, fomos amadurecendo e vimos que três anos sem a amizade não valia a pena por causa de erros de jornalistas incompetentes. E eu nunca esqueço a sábia frase que ela me disse no dia que reatamos, no palco da Double Face em Campinas/SP: "Nós, drags, não passamos de pancake, cílios postiços, peruca e uma bolsa Loui Vuitton. Quando chegamos em casa e tiramos tudo isso, só nos resta a imagem no espelho e nossa cama vazia"...

Fonte: Portal G

 
 
 
 
 
 
 

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