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Íkaro Andrógino - São Paulo/SP

Portal G: Quem é Íkaro Andrógino?
Íkaro: Hum... Complexo responder isso. Mas como a androginia sempre foi tida como uma arte mais pesada, por que não dizer mais "demoníaca", eu não queria ter uma ligação assim. E também queria fazer algo novo, que ninguém tinha visto em termos de androginia. Então dei um tiro no escuro: vim com personagens, músicas pop e lentas, etc. Venho do teatro também e acabo incorporando muito isso. Quando faço um personagem adoro contar uma história, reviver um personagem de filme, levar o lúdico. Transferir a mente de quem vê para algo que ela já viu, ou imaginou. Caracterizar-se de imortalidades conhecidas. Essa talvez seja a parte que eu mais goste de fazer, e a que me trouxe mais alegrias. Com os personagens que fiz pude reviver suas emoções, seus problemas, seus paradigmas... Poder ser uma terceira pessoa dentro de uma só. Uma tela em branco! Talvez assim possa ser definida a androginia no mundo GLS. Somos aqueles com o visual diferente, impactante, com maquiagens absurdas e desertores de clichês. Somos o inesperado, o indefinido. O elo entre o masculino e o feminino. Aquele que confunde, provoca, tira do eixo. Androginia... Ah, quão bela és tu! Este sou eu -Ikaro.


Portal G: Porquê da escolha do nome, tem algum significado? Como tudo começou?
Íkaro: A escolha de Ikaro para meu nome veio da minha paixão pela mitologia Greco-Romana, mas quem me deu esse nome não fui eu. Um dia, conversando com um amigo que fazia show (eu nem imaginava que iria fazer um dia) com o nome de drag Romana Rose, ele me disse: se algum dia você fizer show... Vai se chamar Ícaro, ta? Eu concordei. Dois anos depois nasceu o Ícaro, que logo mudou para Íkaro graças a um puxão de orelha da minha mãe drag Athenna, que achava Ícaro simples demais. Sobre o começo, quando conheci o mundo gay, aos 16 anos, me encantei com o universo das drag-queens, mas não via isso pra mim. Não me via com perucas, peitos e afins. Com o tempo percebi que podia tentar fazer algo meu, e isso se reafirmou quando conheci o Victor Piercing (conhecimento obrigatório para qualquer andrógino no Brasil, visto que é o que sempre levou nossa ‘categoria' a ser conhecida!). Decidi que iria fazer shows em 1999, e fiquei um ano pesquisando como o Íkaro seria: vestuário, tipo de roupa, tipo de música... E em 2000 comecei e não parei mais.

Portal G: Qual foi a maior dificuldade: ser drag ou gay? Sofreu ou sofre preconceito?

Íkaro: A maior dificuldade acredito que não tenha sido nenhum dos dois..sempre a maior dificuldade é aceitar-se como você é. Independente de gay, drag ou andrógino. Vivemos em uma sociedade gay impositiva e que nos molda conforme o desejo da maioria (assim como a sociedade em geral). Então, todos sofremos a pressão social para sermos musculosos, lindos, perfeitos, másculos. Perceber que você não precisa ser parte da homogeneidade e sim poder ser único, heterogêneo é o mais difícil. Quando isso acontece, tudo muda... E preconceito sofremos todos os dias, até olhando no espelho. Por que somos os mais preconceituosos. E acho que talvez haja uma necessidade de ter preconceito para que nos possamos realmente nos aceitarmos como somos, e não aceitar falsamente. Há no fim talvez uma função social no preconceito que não deveria ter, mas que nasceu de nossa própria hipocrisia.

Portal G: O que é ser uma drag? Que dica deixa para quem tá começando?
Íkaro: Independente de drag, andrógino e afins, acho que a função de quem faz show na noite é levar alegria, emoção ou simplesmente fazer com que a pessoa que assiste esqueça de seus problemas. Devemos entreter as pessoas da melhor maneira possível e a mais saudável. E a dica pra quem começa hoje é: seja você mesmo, sempre! Não copie, não imite, não faça as mesmas coisas. Estamos vivendo uma fase de transição em que só quem tem realmente talento e quem faz coisas diferentes e inovadores vai sobreviver.  

Portal G: Como você vê a discriminação hoje em dia?
Íkaro: Como eu disse anteriormente, acho que é um mal necessário. Por que enquanto não aprendermos a sermos nós mesmos sem medo e, principalmente, aprendermos a aceitar os outros como são, ele não vai- e não pode acabar. Até porque exigir o fim do preconceito é uma ironia, visto que somos os mais preconceituosos, os que mais segregam as pessoas dentro de clãs e guetos no convívio social.

Portal G: Se inspira ou se inspirou em quem para montar sua personagem?
Íkaro: Olha pra ser sincero não me inspiro em pessoas e sim em sentimentos, situações, atitudes. Tudo ao meu redor me inspira.

Portal G: Sua mensagem aos leitores do Portal G.
Íkaro: Obrigado pelo carinho de todos vocês e lembre-se de ser você mesmo, custe o que custar!

Fonte: Portal G

 
 
 
 
 
 
 

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